SAÚDE MENTAL E SUICÍDIO NA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO: FATORES OCUPACIONAIS, VULNERABILIDADES E ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO
Resumo
ResumoA saúde mental dos profissionais de segurança pública constitui tema de crescente relevância diante das características da atividade policial, marcada por exposição recorrente a situações de risco, violência, pressão institucional, responsabilidade decisória e demandas emocionais intensas. Este artigo analisa os fatores ocupacionais e organizacionais relacionados ao sofrimento psíquico e à vulnerabilidade ao comportamento suicida entre policiais militares, com ênfase na Polícia Militar do Estado de São Paulo. O estudo adota abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, reunindo pesquisas acadêmicas sobre saúde mental de policiais e dados oficiais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A análise evidencia que o suicídio é um fenômeno multifatorial e não pode ser explicado por uma causa isolada. As evidências apontam para a necessidade de considerar, de forma articulada, exposição a eventos traumáticos, sobrecarga, organização do trabalho, rigidez hierárquica, dificuldades de reconhecimento, estigma relacionado à busca por ajuda e insuficiência de redes de apoio. Dados recentes mostram que, embora os suicídios de policiais civis e militares tenham diminuído no conjunto do país em 2025, o suicídio permaneceu como a principal causa de morte entre esses profissionais. Em São Paulo, entretanto, houve aumento dos registros nas corporações estaduais, inclusive na Polícia Militar. Conclui-se que a prevenção requer políticas permanentes, confidenciais e integradas, capazes de combinar vigilância em saúde, identificação precoce de sofrimento, apoio entre pares, acesso facilitado a cuidado especializado, capacitação de lideranças e revisão de fatores organizacionais que ampliem riscos psicossociais.
Palavras-chave: Saúde Mental; Polícia Militar; Suicídio; Saúde do Trabalhador; Prevenção.